sábado, 26 de agosto de 2017

Brejo Santo 127 anos de contos e encantos!

Falar de Brejo Santo é sentir o coração arder! De fato é uma terra abençoada por Deus, coroada de bençãos por Nossa Senhora.

Brejo Santo possui uma das histórias mais fascinantes já vista. Sabemos que quase toda cidade nasceu de uma lenda. Assim é Brejo Santo com seus contos e encantos.

Conto da lenda de Maria Barbosa, da nascença, dos Irmãos Santos.  Mas é encanto por todos que aqui nasceram ou povoaram e fizeram esta terra crescer. É encanto ainda, por que existem e existiram pessoas que no seu cotidiano fizeram e fazem a história deste lugar, por que aqui tem tudo de bom.

O Presente não existe sem o passado seja ele material ou imaterial. Lembro-me da nascença com aguas cristalinas e a lenda da mãe d’agua e da cobra gigante que por ali podia existir. Ao puxar pela memória, quem não recorda das mulheres e crianças lavando roupas na nascença, fazendo das verdes mata um valioso varal, e no final da tarde todos voltando com as trouxas de roupa na cabeça? E o engenho da nascença, das crianças, jovens e adultos trazendo o mel e rapadura feita na hora? Era um corredor de pessoas vindo e outras voltando. 

Recordo-me do coreto da praça perto da Matriz, do chafariz da Rua Velha, da COLINS (Algodoeira), dos dias de chuvas a pisotear na rua da lama, na subida do serrote pra ver a pedra do Urubu que parecia tão distante, e de lá indo a pé aquela procissão de crianças até o cruzeiro para um piquenique fazer.  Passávamos pela lavanderia Pública, pois as mulheres já não lavavam roupa na nascença, e era gente subindo e descendo com uma alegria contagiante.

Outro registro interessante foi da existência de uma cacimbinha, próxima a nascença e ao engenho. A cacimbinha abastecia toda a cidade de água, os carroceiros com seus tambores e suas latas vendendo água aos que não podiam ir até o local. Fica gravado na mente as mulheres que com suas latas ou potes na cabeça indo até a cacimbinha buscar água para abastecer suas casas. Há uma frase dita pelos mais velhos (mais ou menos assim): quem vem a Brejo Santo e bebe da água da cacimbinha sempre retorna!

Vale registar o nome das pessoas do cotidiano da cidade que ficaram “famosas” pelos suas contribuições anônimas: Domicio (trabalhava na funerária fazia questão de participar dos enterros), Pregentino, Macauba, Pai Véio (era negro, mas não gostava de negro), Pão Kelé, Nitia (o melhor cozinheiro da cidade), Zezito (adorava um enterro), Sr. Chico Coveiro, Sr. João (que tocava o sino da Igreja), Adilso Alfaiate, Maria de Lourdes Marinheiro (Enfermeira e Parteira da cidade), Xavier do Gás, Zezinho Gabriel (Consertava Máquinas de Costura), Sr Joaquim David (oferecia uma das melhores comidas da cidade), Terezinha de Abílio (melhor boleira e doceira da cidade), D. Socorro e Sr. Né da sopa, Sr. Sinésio  (Pai de Chico de Cinézio), Inês Carlota (Catequista), José Pedro da Silva (Sr. Zé Pedro Sapateiro, um dos grandes artesãos de nossa cidade). 

São tantas histórias, recordações que muito seria preciso escrever. Vamos lembrar ainda da rua do comércio, Zezinho Moreira com seus anúncios, pois, poucas lojas existiam, como a Loja São José, Casa Matias, Nova Aurora, Maringá Tecidos, Sapataria Popular, Casas Pernambucanas, Flama Tecidos, Casa Costa, Loja Vidal, loja de D. Maria (Conhecida esposa de Sr. Pedro Tavares), Loja de Leda de Adeus, e o Lojão Nortelar. Havia ainda a ALBRESA (Algodoeira Brejo-santense). Existiam as Farmácias de Ivan Landim, Farmácia de Editoso, Farmácia de Olavo, Farmácia Lucena. As padarias Adriana (com seus pães doces no final da tarde), a IMAP (Pedro Tavares) famosa pelos pães carteiras e os sonhos adocicados.  

O progresso assim foi chegando, os Postos de Gasolinas Pioneiros: Independente (Emilio Salviano), Posto JK (Walter Moura e Edmar Alves de Lucena)

As escolas existentes vale ressaltar o Antigo Balbina Viana Arrais que por eles passaram muitos profissionais e que tiveram como Diretores: Professor Macedo, D. Ieda, Altamira, Nida Feitosa, D. Filomena. A escola Padre Pedro pioneira no Ensino Fundamental, como Diretoras conhecidas: D. Bernadete e Maria Ambrósio. A Escola José Matias Sampaio contou com D. Nely, de uma contribuição esplêndida, a Escola Joaquim Gomes Basílio (hoje o CEJA). O Colégio Padre Viana tendo como fundador o Professor José Teles de Carvalho deixando um legado de conhecimento e sabedoria.

Brejo Santo contou com o trabalho dos caminhoneiros para o progresso desta terra: João Zacarias, João Cardoso, João Barro, Sebastião Barro, Constantino Barros, Vosco, Padela, Louro do Padre, Zé Conzaga, Chico Franjinha, Chico Coalhada, Cazuza, Adonias, Zé Postal, José Frutuoso, Epitácio Bezerra, Mozinho Bezerra, Leandro Lima, Antonio de Ozorio e tantos outros ocultos na memória. 

Na religiosidade um nome sempre irá ficar o então Padre Dermival, hoje Monsenhor que perpetuou sua trajetória humana e religiosa nesta cidade.

E os professores que escreveram a história com a caneta da sabedoria ficam guardados no coração nestes anos de história: Toinha Camilo, Maria Camilo, Marilan Camilo, Adelina Camilo, D. Maroquinha, Inês Landim, D. Heraclides, Prof. Bezerra, Socorro Bezerra, Geraldo (Gê),Francisca Alves (Pretinha), D. Agemira, Lúcia Ambrósio, Diva, Josélia Braga, Neide Teles, Aurileide Teles, Olinda, Socorro Nicodemos, Venusia Alves, D. Cosma, Maria Cabral e tantos outros. 

Assim vamos escrevendo e registrando Brejo Santo, terra de infinita beleza, feita pelos “artesãos” do cotidiano com seus contos e encantos.

Maria de Fátima Alves Moreira