quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Leia agora a COLUNA DO PROFESSOR PIXOTE




A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL POR IMAGENS.

Dando continuidade a análise de imagens, em função do feriado de sete de setembro  veremos duas pinturas sobre esse tema: uma já bastante conhecida do público, a outra um pouco desconhecida.

BREVE HISTÓRICO – tradicionalmente procura-se pensar a independência do Brasil como algo vitorioso para toda a sociedade.  No entanto, a independência do Brasil está associada a tentativa de recolonização por parte das elites portuguesas insatisfeitas com a abertura econômica (abertura dos portos e tratado de livre comércio e amizade) e a mudança política da colônia elevada à condição de vice – reino.

        Diante da possibilidade da recolonização a elite colonial opta pelo rompimento com a coroa portuguesa.

Os grandes proprietários de terras e comerciantes articulam-se para conquistar a adesão do príncipe regente, D. Pedro I (que permaneceu no Brasil, mesmo com o retorno da família real à Portugal), para a proclamação da nossa independência e garantir assim a manutenção das estruturas econômicas (agro exportação) e sociais (escravismo).

Portanto, a independência do Brasil representou a culminância de uma política habilmente levada a cabo pela classe privilegiada: os proprietários de terras e de escravos. Era fundamental uma independência sem guerra civil, sem fragmentação territorial com uma união em torno de D. Pedro I aclamado imperador por que seria mais facilmente preservado os interesses das elites. O povo livre e os escravos não teriam participação efetiva na condução da jovem nação.

Para a maioria da população brasileira a independência não trouxe nenhuma mudança, pois ela continuou marginalizada e explorada.


ANÁLISE 1 – Vamos começar pela desconhecida.
 

A pintura acima é intitulada Proclamação da Independência. A tela tem 2,44 m x 3,83 m (sem a moldura), e foi produzida em 1844 pelo francês François-René Moreaux sob encomenda do Senado Imperial e pode ser vista no Museu Imperial de Petrópolis, Rio de Janeiro.

DESCRIÇÃO DA OBRA -
 D. Pedro I está numa posição destaque, na parte central da pintura e numa posição mais alta que os outros personagens que são pessoas comuns que olham para ele, enquanto o monarca olha para frente agitando seu chapéu bicorne, com a mão direita erguida. O mesmo gesto é reproduzido pela sua comitiva (ao fundo) A luz parece lhe dar mais destaque. Quanto mais se distancia dele, menos claro vai ficando a tonalidade. Não se observa na pintura nenhum gesto militarista, pois não tem nenhuma espada erguida. 
O que há é um sentimento de confiança no rei simbolizado pela ideia de confraternização entre todos os partícipes da cena.
Constata-se no entanto, que a maioria das pessoas são civis.


Destaca-se os entre eles: homens, mulheres e crianças (inclusive algumas pessoas descalça) numa postura que sugere movimento e com os braços levantados, acenando, glorificando, e celebrando como se fosse uma festa popular em celebração ao ato e a pessoa de D. Pedro I. Porém, outros apenas observam com um olhar de admiração.

Não há como identificar o lugar onde ocorre a cena. A presença das palmeiras sugere que a mesma ocorre nos trópicos. 
No entanto, observa-se a ausência de indígenas, mulatos e negros ( exceto dois morenos) e inexiste a referência a força de trabalho predominante à época da independência: os escravos. A maioria das pessoas   que são de pele branca e europeizada, com vestimentas de lugares diferentes. 

No canto direito médio temos uma mulher de véu negro, segurando um bebê.  Ela tem os cabelos segundo os padrões europeus, destacando a ainda os valores católicos, a partir da pose em um tom devocional. O mesmo acontece no canto esquerdo médio, com uma mulher de costa (para o observador) segurando o braço de uma menina, e no canto direito inferior onde uma senhora idosa se ajoelha.
Em suma, temos uma pintura romântica que idealizou uma situação onde o Imperador, D. Pedro I é configurado em meio a uma multidão branca com traços tipicamente europeus. A cena indica que a independência foi resultado tão somente de uma decisão e ação de D. Pedro I retratando  seu um ato festivo.

Manoel Mosilânio Malaquias da Cruz (Pixote Cruz)
Historiador (URCA), Pedagogo (URCA), Graduado em Mídias da Educação (MEC) Especialista em Mídias da Educação(UFC), em Educação e Direitos Humanos (UFC); em Análise Transacional (Academia do Futuro) e em Metodologia do ensino Superior (UNICAP). Pesquisador sobre Música Brasileira e Tutor do Projeto Professor Aprendiz da SEDUC- FUNCAP na área de Ciências Humanas. Professor de Graduação e Pós- Graduação da Faculdade FACEN. Professor da Rede Privada e Pública Estadual de Brejo Santo-Ce, e do Curso Sapiento. (Salgueiro – Pe)
Especialista e Consultor Educacionais das Matrizes Curriculares e dos Parâmetros Curriculares Nacionais e da prova do ENEM
 Acesse o canal ENEM TOMARA 2017.

 Fonte de apoio e de consulta:
1.SCHWARCZ, Lilia. Reino da imaginação. Revista de História, 16/09/2009.
2.CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. FRIEDLANDER, Walter. De David a Delacroix. São Paulo: Cosac & Naify, 2003
3.http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/independencia-do-brasil-por-moreaux/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues.