A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL POR IMAGENS.
Dando continuidade a análise de
imagens, em função do feriado de sete de setembro veremos duas pinturas sobre esse tema: uma já
bastante conhecida do público, a outra um pouco desconhecida.
BREVE HISTÓRICO – tradicionalmente procura-se pensar a independência do
Brasil como algo vitorioso para toda a sociedade. No entanto, a independência do Brasil está
associada a tentativa de recolonização por parte das elites portuguesas
insatisfeitas com a abertura econômica (abertura dos portos e tratado de livre
comércio e amizade) e a mudança política da colônia elevada à condição de vice
– reino.
Diante
da possibilidade da recolonização a elite colonial opta pelo rompimento com a
coroa portuguesa.
Os grandes
proprietários de terras e comerciantes articulam-se para conquistar a adesão do
príncipe regente, D. Pedro I (que permaneceu no Brasil, mesmo com o retorno da
família real à Portugal), para a proclamação da nossa independência e garantir
assim a manutenção das estruturas econômicas (agro exportação) e sociais (escravismo).
Portanto, a independência do Brasil representou a culminância de uma
política habilmente levada a cabo pela classe privilegiada: os proprietários de
terras e de escravos. Era fundamental uma independência sem guerra civil, sem
fragmentação territorial com uma união em torno de D. Pedro I aclamado
imperador por que seria mais facilmente preservado os interesses das elites. O
povo livre e os escravos não teriam participação efetiva na condução da jovem
nação.
Para a
maioria da população brasileira a independência não trouxe nenhuma mudança,
pois ela continuou marginalizada e explorada.
ANÁLISE 1 –
Vamos começar pela desconhecida.
A pintura
acima é intitulada Proclamação da
Independência. A tela tem 2,44 m x 3,83 m (sem a moldura), e foi produzida
em 1844 pelo francês François-René Moreaux sob encomenda do Senado Imperial e pode
ser vista no Museu Imperial de Petrópolis, Rio de Janeiro.
DESCRIÇÃO DA OBRA -
D. Pedro I está numa posição destaque, na
parte central da pintura e numa posição mais alta que os outros personagens que
são pessoas comuns que olham para ele, enquanto o monarca olha para frente
agitando seu chapéu bicorne, com a mão direita erguida. O mesmo gesto é
reproduzido pela sua comitiva (ao fundo) A luz parece lhe dar mais destaque.
Quanto mais se distancia dele, menos claro vai ficando a tonalidade. Não se
observa na pintura nenhum gesto militarista, pois não tem nenhuma espada erguida.
O que há é
um sentimento de confiança no rei simbolizado pela ideia de confraternização
entre todos os partícipes da cena.
Constata-se
no entanto, que a maioria das pessoas são civis.

Destaca-se
os entre eles: homens, mulheres e crianças (inclusive algumas pessoas descalça)
numa postura que sugere movimento e com os braços levantados, acenando, glorificando,
e celebrando como se fosse uma festa popular em celebração ao ato e a pessoa de
D. Pedro I. Porém, outros apenas observam com um olhar de admiração.
Não
há como identificar o lugar onde ocorre a cena. A
presença das palmeiras sugere que a mesma ocorre nos trópicos.
No
entanto, observa-se a ausência de indígenas, mulatos e negros ( exceto dois
morenos) e inexiste a referência a força de trabalho predominante à época da independência:
os escravos. A maioria das pessoas que são de pele branca e europeizada, com
vestimentas de lugares diferentes.
No canto
direito médio temos uma mulher de véu negro, segurando um bebê. Ela tem os cabelos segundo os padrões
europeus, destacando a ainda os valores católicos, a partir da pose em um tom
devocional. O mesmo acontece no canto esquerdo médio, com uma mulher de costa (para
o observador) segurando o braço de uma menina, e no canto direito inferior onde
uma senhora idosa se ajoelha.
Em suma, temos
uma pintura romântica que idealizou uma situação onde o Imperador, D. Pedro I é
configurado em meio a uma multidão branca com traços tipicamente europeus. A
cena indica que a independência foi resultado tão somente de uma decisão e ação
de D. Pedro I retratando seu um ato
festivo.
Manoel Mosilânio Malaquias da Cruz (Pixote
Cruz)
Historiador
(URCA), Pedagogo (URCA), Graduado em Mídias da Educação (MEC) Especialista em
Mídias da Educação(UFC), em Educação e Direitos Humanos (UFC); em Análise
Transacional (Academia do Futuro) e em Metodologia do ensino Superior (UNICAP).
Pesquisador sobre Música Brasileira e Tutor do Projeto Professor Aprendiz da
SEDUC- FUNCAP na área de Ciências Humanas. Professor de Graduação e Pós-
Graduação da Faculdade FACEN. Professor da Rede Privada e Pública Estadual de
Brejo Santo-Ce, e do Curso Sapiento. (Salgueiro – Pe)
Especialista e Consultor
Educacionais das Matrizes Curriculares e dos Parâmetros Curriculares Nacionais
e da prova do ENEM
Acesse o canal ENEM TOMARA 2017.
Fonte de apoio e de consulta:
1.SCHWARCZ, Lilia. Reino da imaginação. Revista de
História, 16/09/2009.
2.CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira
no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983. FRIEDLANDER, Walter. De David
a Delacroix. São Paulo: Cosac & Naify, 2003
3.http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/independencia-do-brasil-por-moreaux/
- Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues.





