quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

COLUNA DO PROFESSOR PIXOTE - 500 Anos de Reforma Protestante – PARTE II

 500 Anos de Reforma Protestante –  PARTE II


Dando continuidade ao que apresentamos no texto da semana passada, hoje iremos abordar sobre a crise da IGREJA antes da REFORMA.

Como vimos, a crise da igreja ocorreu muito antes da reforma protestante. Desde o final da Idade Média a incapacidade do Clero Católico de responder às expectativas dos fieis e a corrupção generalizada abalaram profundamente a credibilidade do catolicismo. Diante dessa situação, a autoridade dos eclesiásticos passou a ser questionada.

Sisto IV ( 1471-1484) transformou o Estado pontifício em uma monarquia despótica além de praticar o nepotismo desenfreado.  Inocêncio VIII ( 1484- 1492) deu continuidade as práticas de seus predecessores com diversas práticas de comércio no secretariado apostólico.

Através da simonia o Cardeal  Rodrigo de Bórgia  tornou -se papa em 11 de agosto de 1942, sob o nome de Alexandre VI  e promoveu seus bastardos e transformou a corte pontifícia em um verdadeiro lupanar, pois entre suas diversas libertinagens instituiu o “BANQUETE DAS CORTESÃS ” que consistia numa “CERIMÔNIA” na qual diversas mulheres  dançavam nuas e plantavam bananeira.  Foi o ápice. Mas não foi um fato isolado.  No início do século XV as monjas Montmarte tinham uma reputação vergonhosa pois em troca de alguns trocados, vendiam seu corpo. Não foram  poucos as autoridades religiosas. François Rabelais, grande humanista, afirmava que os religiosos entendiam muito de seduzir mulheres e fabricar bastardos. Dizia que os clérigos além desses problemas eram inúteis e ignorantes e que sabiam era “PRECES RECHEADAS DE AVE MARIA IMPENSADAS SEM ENTENDEREM NADA DO QUE ESTÃO DIZENDO ”
 
Não bastasse isso, Júlio II e posteriormente Leão X, financiaram através da venda descarada de indulgências e de remissões da pena ao purgatório a construção da basílica de São Pedro de Roma. Chegar ao paraíso dependia tão somente de dinheiro.

http://www.iglesiapueblonuevo.es/index.php?codigo=enc_indulgencais
Tetzel, o vendedor de Indulgências, litografia colorizada, r. Webezah, 1832.


A pintura acima retrata o frade dominicano Johan Tetzel em 1517 numa banca montada para a venda de indulgências, na Saxônia. Práticas como essas se espalharam pela Europa com o objetivo de arrecadar fundos para a construção da basílica de  São Pedro. Foi o estopim para que o monje agostiniano Martinho Lutero se revoltasse contra a autoridade da Igreja de Roma.   Ele condenou sem apelação essa prática afirmando que somente a fé pode salvar os homens.

Mas não era apenas as críticas às práticas e o comportamento desvairado dos clérigos que geravam questionamentos à Igreja Católica. Havia uma crise religiosa mais profunda : o medo escatológico da morte.

Durante a Idade Média, a morte tornou-se uma verdadeira obsessão. No contexto da peste negra e da Guerra dos Cem Anos, a morte passou a ser associada a uma visão macabra, na qual o esqueleto dançarino simboliza o próprio homem vivi na sua forma futura.

A morte era representada pelos cadáveres em putrefação, indicando a inevitabilidade da degradação do corpo e a inutilidade da ambições humanas. Essa representação rompeu com a visão anterior da morte como um acontecimento consolador, que marcava o fim dos sofrimentos terrenos e o descanso final da alma.

Essas imagens tinham também o poder de evocar a brevidade da vida e a igualdade de todos diante da morte, uma vez que pobres e ricos eram sepultados sem distinção. Nesse sentindo, pensar na morte significava também aprender lições sobre a vida.
Alves, Alexandre, Conexões com a História.pág. 218.

Diante  dessa situação e dilacerada por crises internas a Igreja não conseguia acalmar os ânimos dos fieis. O terror da morte denunciava as vaidades sociais ante as indiferenças dos grupos sociais, quer sejam eles papas, nobres, crianças, anciãos. A arte não ficou indiferente diante desse movimento como veremos a seguir.

Dança macabra, pintura do final do século XV. BERNT NOTKE.

TENTATIVAS DE  REFORMA -  Desde o final do século  XIV algumas tentativas de alguns teólogos  procuravam responder essas angustias. Entre eles podemos citar Jean Gerson ( 1363- 1429), teólogos parisiense fazia eloquentes sermões  contra as superstições e em defesa dos ensinamentos humildes de  Jesus. Sua obra é conhecida como A Bíblia dos Pobres voltada para os letrados na instrução dos não-letrados.

William de Pagula, no século XIV, escreveu Oculus Sacerdotis, voltada para o ensinamento aos padres para dar uma formação adequada.      Outros teólogos redigiram opúsculos  similares as duas obras citadas. Não adiantou. A  Reforma nasceu no seio da própria Igreja frente aos novos valores modernos e alterou profundamente os rumos da humanidade.

OBRAS E FONTES CONSULTADAS:

ALVES, Alexandre, Conexões com a História. 1 edição .  São Paulo. Moderna 2010.pág. 218.
DELUMEAU, Jean. Nascimento e Afirmação da Reforma. São Paulo: Editora Pioneira, 1989.
GONZALEZ, Justo L.. Uma História Ilustrada do Cristianismo: A Era dos Sonhos Frustrados. Vol 5;
GONZALEZ, Justo L.. Uma História Ilustrada do Cristianismo: A Era dos Reformadores. Vol 6.
REVISTA HISTÓRIA VIVA. Edição  Especial Temática Ano VI. n⁰ 73.  São Paulo, SP. Editora Duetto.
ROTERDÃ,Erasmo de.Elogio da Loucura. In http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2257
SPROUL, R. C. Sola gratia: a controvérsia sobre o livre arbítrio na história. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/04/ibge-atualiza-dados-do-censo-e-diz-que-brasil-tem-190755799-habitantes.html


Manoel Mosilânio Malaquias da Cruz (Pixote Cruz)
Historiador (URCA), Pedagogo (URCA), Graduado em Mídias da Educação (MEC), Especialista em Mídias da Educação(UFC), em Educação e Direitos Humanos (UFC); em Análise Transacional (Academia do Futuro) e em Metodologia do ensino Superior (UNICAP). Pesquisador sobre Música Brasileira e Tutor do Projeto Professor Aprendiz da SEDUC- FUNCAP na área de Ciências Humanas. Professor de Graduação e Pós- Graduação da Faculdade FACEN. Professor da Rede Privada e Pública Estadual de Brejo Santo-Ce, e do Curso Sapiento. (Salgueiro – Pe)
Especialista e Consultor Educacional das Matrizes Curriculares e dos Parâmetros Curriculares Nacionais e da prova do ENEM

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