quinta-feira, 15 de março de 2018

COLUNA DA JACQUELINE - O Nó da Afetividade

O Nó da Afetividade


Hoje  o silencio da noite me remeteu a refletir sobre  afetividade!

Afetividade é a qualidade de quem é afetivo. Conjunto de fenômenos psíquicos que são experimentados e vivenciados na forma de emoções e sentimentos( Aurélio 1984).

A afetividade exerce um papel fundamental nas correlações psicossomáticas básicas, além de influenciar, decisivamente, a percepção, a memória, o pensamento, vontade e a ação, sendo assim, um componente essencial da harmonia e do equilíbrio da personalidade humana. (ESPIRITO SANTO, 2008, p.1)

No Dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano, a palavra afetividade designa o conjunto de atos como bondade, inclinação bondade, inclinação, devoção, proteção, apego, gratidão, em resumo, pode ser caracterizada sob a preocupação de uma pessoa por outra, por outra, tendo apreço por ela, cuidando dela, assim, e a mesma corresponde positivamente aos cuidados ou a preocupação.

Lembrei-me da  parábola  “O nó do afeto”. Conta-se que em uma reunião de pais, numa escola da periferia, a diretora incentivava o apoio que os pais devem dar aos filhos. Pedia-lhes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível. Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho pra se dedicar a entender as crianças. 

Mas a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana. Quando ele saia pra trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava dormindo. Quando voltava do serviço era muito tarde e o garoto não estava mais acordado. 

Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família. Mas ele contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa. 

E, para que o filho soubesse da sua presença, ele todas as noites dava um nó na ponta do lençol que o cobria Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. 

O nó era o meio de comunicação entre eles. A diretoria ficou emocionada com aquela história singela e emocionante. E ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola .

A parábola nos faz refletir sobre as várias maneiras de se fazer presente.  É a comunicação através dos sentimentos.

Aquele pai encontrou a forma de transformar seu amor no nó do afeto.

Os finais de semana tenho o grato prazer de me deliciar com a presença de Levi, meu neto. Ele torna nossos finais de semana bem mais prazerosos. 

Este final de semana foi atípico . O avô estava gripado e para brincar com ele colocava uma máscara para evitar o contágio. Percebi que ele não gostou daquela máscara e nem tão pouco da distância que o avô ficava dele, com o único intuito de não fazê-lo gripar.

No domingo quando acordou, olhou para mim e disse: vó eu estou gripado!

Eu o olhei com preocupação, e antes que dissesse qualquer coisa ele respondeu  com ar de contentamento: não fique triste vó, eu estou feliz.

Não entendi e retruquei: Feliz? E ele: sim, muito feliz. Porque agora posso brincar sem máscara com meu avô e  ele pode me abraçar.

Sabe quando o coração transborda de ternura. Criança tem este poder.

E fiquei pensando no poder do amor, da afetividade.

Com certeza a cada encontro, a cada final de semana, Mendes marca Levi com o nó da afetividade!
Por uma humanidade melhor!

Ana Jacqueline Braga Mendes