segunda-feira, 9 de abril de 2018

COLUNA DO DAVID JR. - Criança com tempo preenchido nem sempre é criança saudável


CRIANÇA COM TEMPO PREENCHIDO NEM SEMPRE É CRIANÇA SAUDÁVEL


Tem sido comum ouvir de crianças a frase “eu não tenho tempo”, como a explicação de uma vida preenchida de responsabilidades e de atividades que em muitos casos, retiram-lhes a oportunidade de serem verdadeiramente crianças. 
Escola, atividades escolares, reforço, aula de música, aula de dança, curso de línguas estrangeiras, ajudar nas atividades domésticas, e por aí vai – pode não ser a melhor forma de ser criança, e sim de ser um adulto em miniatura, que tem inúmeras atividades a realizar, e esquece um pouco de si. Não é que devemos criar crianças displicentes, apáticos ou algo do tipo, mas é permitir que a criança viva e faça aquilo que não lhe retire o direito e o prazer de ser criança. 
Essa vida mercadológica, de concorrências exageradas que alimentamos desde a vida escolar e se estende à vida adulta, tem criado vários conflitos em adolescentes e nos próprios adultos, que por não terem tempo para si mesmo, acabaram por não ter tempo de se descobrirem enquanto humanos, mas somente como seres de mercado, adaptáveis aos mais diversos sistemas que lhe exijam competências e habilidades, mesmo que não a tenham. 
Esse processo de mercantilização da vida tem nos oferecido um paralelo processo de adoecimento, no qual adotamos uma vida de correrias exacerbadas, de resoluções imediatas de problemas, que em muitos casos não estamos preparados para isso, e acabamos por esquecer-se de quem de fato somos, pois só podemos lembrar-nos do que as pessoas ou o mercado exige de nós. 
É essa vida que precisamos ter cuidado quando pretendemos transferi-la para a vida de nossas crianças, retirando-lhes a oportunidade de se descobrirem, se construírem, se fazerem e se refazerem em um processo de vida espontâneo, que não construa seres negligentes consigo mesmos, mas capazes de perceberem quem são, e como são, e com a habilidade de reconhecerem seus limites e suas possibilidades. 

Uma ótima semana. Até a próxima. 
David Junior – Psicólogo