sexta-feira, 27 de julho de 2018

COLUNA DA HISTORIADORA FÁTIMA ALVES - Dr. Sebastião Gomes de Almeida, o médico do coração, do coração da gente, do coração da Cidade Brejo Santo.

Dr. Sebastião Gomes de Almeida, o médico do coração, do coração da gente, do coração da Cidade Brejo Santo.



Michel de Certeau diz que a “história cotidiana é um espaço dividido, é uma etiqueta compartilhada”. Hoje, compartilho esta etiqueta com todos que fazem a cidade de Brejo Santo: Dr. Sebastião Gomes de Almeida, trago para cada um de nós este exemplo de homem, pai, avô, esposo, médico e amigo da sociedade. Considero Dr. Tião, um intelectual do século XXI, foi um momento ímpar conversar com ele, fiquei emocionada. Baseando-se em Certau ele ainda nos diz que o cotidiano é aquilo que nos é dado cada dia (ou que nos cabe em partilha)... é aquilo que nos prende intimamente, a partir do interior”, assim começa a conversa com Dr. Tião. Pergunto quem é Dr. Tião, eis a resposta de um sábio: “A auto definição não é algo muito fácil, mas se eu tivesse que me definir eu diria que sou um médico que há 40 anos, tenta colocar na mesma moldura a medicina composta de magia, ciência e humanismo”. Segundo Dr. Tião se todos os médicos ou estudantes de medicina entendessem esse paradigma de reunir essas características para reger e para direcionar a sua doutrina, acredita que seria muito bom para a humanidade. 

Aprofundo ainda mais minha pergunta sobre a pessoa de Dr. Tião, sigo a linha de pensamento de Certeau “o que interessa ao historiador do cotidiano é o Invisível...”, e Dr. Tião completa revelando sua invisibilidade: “Como pessoa, tem alguma coisas que considero muitíssimo importante, a primeira delas é ter de forma muito aguda a compreensão de que a vida da gente é passageira, que nós não levamos absolutamente nada pra lugar nenhum quando formos nossa viagem derradeira, por estas razões temos que viver o presente com muita intensidade essa intensidade tem que ser distribuída, compartilhada, no que nos afastamos dos nossos semelhantes, das nossas comunidades, ás vezes até de forma involuntária, de construir pra gente um pedestal, se distanciando dos pobres e dos mais humildes e daqueles que compuseram nossa infância e nossa vida, é uma besteira”. Todos os dias Dr. Tião diz que vive com sua religiosidade que é aproximação com Deus, seu grande parceiro, considera fundamental a solidariedade, a compaixão, com os nossos semelhantes. Para ele a vida fora desta comunidade, sem compartilhar isso, não tem valor.  Que lição de vida! Quanta sabedoria em revelar o caminho de nós mesmos, como diz Certeau. 

Pergunto o que mais marcou na sua vida quando criança e Dr. Tião viaja nas origens familiares com muitas e muitas recordações, filho de Francisco Gomes Sobral, conhecido como Louro da Usina (in memoriam), trabalhou a vida inteira e Isabel Almeida Sobral (in memoriam), eram oriundos da cidade Juazeiro do Norte, tece elogios a sua mãe: “Uma dona de casa, uma mãe extraordinária que construiu aqui a família”. Dois mais velhos Gilma e Gilvan, Dr. Tião, Maria, Cicero e Fátima. O que marca sua infância segundo ele, é um fato didático e exemplar de que seu pai, apesar de ter pouco estudo, mas de uma inteligência soberba, sempre concebeu que a família tinha que encontrar o desenvolvimento através da educação. Os filhos de Louro não trabalhava, mas estudava bastante, e muito. Essa orientação, de fato marcou, o crescimento para toda família. Expressa um carinho por Gilma que para ele uma irmã conselheira, uma segunda mãe, confidente, amiga, abraçou toda causa da educação e hoje, com três filhos e todos os médicos, vive bem e sempre visita, uma vez por mês os familiares. Como cotidiano é aquilo que nos é dado cada dia... nos prende intimamente, Dr. Tião expressa lindamente: “Embora as pessoas não percebam, outro argumento muito forte em relação a isso é a busca incessantemente pela felicidade, pelo ser e não pelo ter, a gente tem que buscar isso, não é possível que você esteja plenamente feliz se você não tem como enxergar as desigualdades sociais que assola o país da gente e você estender a mão para quem precisa, você compartilhar e contribuir para que esta diferença tão enorme, abismal, se reduza”. A sua infância ele revela, que foi linda, de pé no chão, nasceu na Rua Velha (Coronel Ferraz), se criou na Várzea, correu pela na Rua da Lama (Padre Abath), pela rua da Igreja Matriz, sua infância foi divida com o pessoal de Dona Bina, sua primeira professora, quem alfabetizou. Dr. Tião faz referência a G (Geraldo), Ua, Dona Bernadete, Zinha, Ira, Zé Nilton.  Dr. Tião cita suas brincadeiras, como se exibe um troféu: jogar futebol, bolo de gude (bila), uribusca (esconde /esconde), mas sem faltar com os estudos. Estudou nas escolas José Matias Sampaio e como diretora teve Dona Heraclides e Dona Antonieta, mantinha uma adoração pelas duas, elas perceberam sua vontade de estudar. Após este período foi estudar na Escola Padre Viana, o coração abraçou o Sr. José Teles de Carvalho. Estudou em Fortaleza e Recife, prestou vestibular foi aprovada na Faculdade de Ciências Médica de Pernambuco. Mas o olhar e o coração sempre voltado para o Brejo Santo, apesar de receber propostas de trabalho, resolveu se estabelecer na terra natal. Casou-se com Lúcia com a qual teve três filhos: Shesla (médica), Charles (cardiologista) divide o espaço da clinica e Diego optou por Direito, advogado e procurador do Município, juntos constrói a criação de animais quarto de milha. Percebe-se o amor de Dr. Tião pela família e fala sobre seus 6 netos com carinho e admiração, Shesla com Guilherme presentou com Lívia, Guilherme Filho e Laura, Diego presentou com Artur, Charles e Carizia  presentou com dois netos,  Alicia. A paixão pela educação é notável, revela que os netos nutrem o gosto pelos estudos e que todos tiram nota 10 na escola. 

Depois de descrever sua vida pessoal e familiar, relata sobre seu trabalho. Percorreu vários caminhos e um deles foi trabalhar na Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima, o qual nutre uma admiração por Dr. Cledson, que para ele, além de parceiro e amigo, tem uma afeição de gratidão por toda família. Depois da Casa de Saúde, surge o hospital Geral, apesar de não ser sócio, compartilha com os Dr. Wider, Dr. Webert, Welilvan e todos os que por lá passam, sua profissão, está lá desde a fundação. Tem a Clinica cardiológica, com amor  atende aos pacientes com cuidado e atenção, possui aparelhos do mais simples ao mãos sofisticado. Sua paixão pela Cardiologia surgiu ao admirar o trabalho de Adib Jatene, quando este fez uma visita a faculdade e através de outros cardiologistas. Um professor extraordinário, que mais incentivou foi Alvidio Montenegro, desde então não para de estudar. Fez a Prova de Titulo da Sociedade de Cardiologista no Rio de Janeiro, aprovado, um titulo que tem com orgulho. 

Hoje, Dr Sebastião Gomes de Almeida é Professor na FMJ ensina cardiologia, se descobriu na docência, extremamente palpitante, ajuda a estudar e se atualizar. Dr. Tião fala de um trabalho que realiza atualmente: “Havia uma pergunta que não queria calar dentro de mim, qual era o meu papel dentro da sociedade do Brejo, se era só esse, estar na zona de conforto do meu consultório, zona de conforto da minha vida, sem contribuir de forma mais decisiva com aquelas desigualdades que eu tanto lutei pra superar, então eu vi que havia muita gente na periferia que não tinha o dinheiro, pra me pagar, apesar de ter um convênio com o munícipio, faltava, esse contato. Criei uma comissão professor Adib Jatene que foi um cardiologista deste país e foi um homem que trouxe para o Brasil os PSF da vida, e eu me juntei a todos os médicos dos PSF de Brejo Santo. Encontrei uma recepção neles extremamente calorosa. Fizemos uma reunião extremamente exitosa, todos se comprometeram ajudar, estão ajudando. Criamos um protocolo para atender pacientes diabéticos e hipertensos, estabelecendo critérios mais rígidos com controle e avalição sustentada”. Explica Dr. Tião que o paciente é acompanhado com metas estabelecidas. O primeiro trabalho foi no Bairro Alto da Bela Vista, com resultados espetaculares, em parceria com a Secretaria de Saúde. Havia um programa do Governo muito parecido que é o aplicar tudo isso em beneficio das populações e que tudo isso concorria a um prêmio. Mas existe um prêmio de um selo, mas com o empenho de todos os médicos do PSF que ajudaram, Dr. Danilo Lucena, Reiver, Dra. Nelma, Dr. Jarbas, todos ajudaram e o selo veio. A próxima será no Bairro René Lucena.

Brejo Santo hoje na visão de Dr. Tião: “Quando a gente define o que é nosso, corremos o risco enorme de cometer exageros, de omitir os nossos defeitos e enaltecer nossas virtudes. Mas Brejo Santo, independente do país, nós temos uma cidade diferente, é uma cidade modelo para qualquer país do mundo. É uma cidade onde o desenvolvimento ele é pleno, educação, saúde, assistência social e principalmente contabiliza por que é uma cidade extremamente exigente, linda e cobra melhoria. Recordo-me ás vezes eu ia com Welington inaugurar uma praça no sitio, no dia da inauguração, Welington entregando, surgia sempre uma pessoa no público e dizia Dr.; Welington e a nossa quadra e a nossa escola, e a nossa estrada, cadê nossa água, melhora isso aqui. Eram pessoas comprometida, faz a diferença. Hoje fico feliz por que cada casa de pobre tem um filho com, faculdade, universidade, desenvolvimento, homogêneo. Não é um setor que se desenvolve, como exemplo, se uma escola tira nota 10 a outra está caçando oportunidades pra fazer a mesma coisa. Um corpo docente que brilha os olhos da gente. Quem ganhou o prêmio destas escolas nota 10? Digo sempre é um prêmio tão bem dividido, principalmente com a docência, com os gestores de toda educação, mas tem muito do professor, do diretor da escola e dos alunos”. Dr. Tião diz que as vezes uma critica velada, outras vezes com cuidado para não magoar, das cidades mais próximas com uma estrutura semelhante a de Brejo Santo, mas com um funcional muito aquém. As pessoas não se acomodar e aumentar o leque de exigências por que o gestor se move participar e reclamar. As pessoas as vezes reclama do que falta a ser feito, mas é preciso sempre exigir. 

Encerro o momento, pedindo que expresse uma frase: “Minha história é muito parecida com as de todos, a gente trabalha tanto, na infância a questão do desenvolvimento, de olhar pra dentro de si próprio e pra dentro da família e agora estamos no momento de estender as mãos para outras pessoas. Para que outras pessoas tenham o mesmo sentimento de melhoria e gostaria de encerrar dizendo o seguinte, primeiro agradecer a oportunidade que você está nos dando e dizer que seu trabalho é lindo. Achei uma coisa importante a contemporaneidade porque  por mais relevante que se seja a história, de mostrar os monumentos, é até antológico de tudo que se fez por um município, dos grandes lideres, sejam religiosos ou políticos ou de qualquer outra ordem mas  é muito importante que em vida a gente possa partilhar isso com a população. Eu acho esse trabalho tão lindo por que ele dá uma oportunidade de alguém que talvez até nem me conheça,  eu posso dá uma palavra de incentivo pra essa pessoa. Agregar experiência com experiência dos outros. Com as informações dos outros. 
Agradeço a Dr. Sebastião Gomes de Almeida, que tanto contribui para o engrandecimento da nossa história cotidiana, com certeza a futura, pois presente não existe sem passado e o presente se torna futuro.