quinta-feira, 25 de outubro de 2018

COLUNA DA JACQUELINE - Medo

Medo


Hoje procuro  inspiração para escrever. Nunca tinha me ocorrido isso. Sempre encontro motivos para escrever. Mas  estes últimos dias meu coração está meio adormecido, quieto, e é ele que move minha mente. 

Começo a pensar! Deve ser fuga de pensamento! Não gosto de escrever sobre coisas ruins e estes dias o nosso país está envolto  em  sombras, em dúvidas, em medo.

Medo de ir, medo de sair,  medo de sofrer, medo de se envolver , medo do preconceito. Todavia o medo não é uma perturbação psicológica. Ele é parte da nossa própria alma. O que é decisivo é se o medo nos faz rastejar ou se ele nos faz voar. Quem, por causa do medo, se encolhe e rasteja, vive a morte na própria vida. Quem, a despeito do medo, toma o risco e voa, triunfa sobre a morte. Morrerá, quando a morte vier. Mas só quando ela vier, assim diz Rubem Alves.

Eduardo Galeano acerca  do medo global , diz:

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.

E Mia Couto, sintetiza: há quem tenha medo que o medo acabe.

Dentre tantas assertivas sobre medo, tomo posse da poesia de Milton Nascimento:
 
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura.
E me debruço sobre a filosofia de Belchior:
Eu tenho medo de abrir a porta
Que dá pro sertão da minha solidão
Apertar o botão: cidade morta
Placa torta indicando a contramão
Faca de ponta e meu punhal que corta
E o fantasma escondido no porão
Eu tenho medo e já aconteceu
Eu tenho medo e inda está por vir
Medo, medo, medo, medo, medo, medo..
 
Por uma humanidade melhor!
Jacqueline Braga