Uso excessivo de “Telas” pode causar prejuízos à saúde mental de crianças e adolescentes
Vivemos na era da informação e da tecnologia, temos utilizado as evoluções da informática e as ferramentas tecnológicas a nosso favor para o trabalho, para nos relacionarmos com outras pessoas, para “diminuir” distâncias, pagar contas, fazer compras, para estudar, e se divertir. Entre adultos, crianças e adolescentes o celular parece ter papel essencial em suas vidas, mas devemos ficar atentos ao uso excessivo desses aparelhos, que podem causar alguns prejuízos à saúde mental.
Já é comum vermos crianças e adolescentes vidrados nas telas de celulares, silenciosos, “quietinhos”, entretidos com a magia de vídeos, jogos e tutoriais – alguns pais usam essa estratégia para que as crianças fiquem “mais tranquilas”, e não “baguncem” tanto – o que pode causar uma dependência nos filhos para a realização de atividades do cotidiano, como tomar banho, almoçar e dormir, por exemplo. Para onde a criança vai, o celular vai junto, a tela ligada, e a criança não faz outra coisa se não tiver com o celular, uma, duas, três, quatro horas... E quais os riscos desse uso desenfreado de “telas” na vida de crianças e adolescentes?
Estudos recentes revelam que entre os riscos aos quais crianças e adolescentes estão expostos com o uso excessivo de telas estão a ansiedade e a depressão, e que a partir dos dois anos efeitos negativos já podem ser observados no comportamento dos pequenos usuários.
Segundo os pesquisadores Jean Twenge, Psicólogo da Universidade Estadual de San Diego, e Keith Campbell, Professor de Psicologia pela Universidade da Geórgia, “crianças e adolescentes podem começar a ter menos curiosidade, menor autocontrole, menos estabilidade emocional e maior incapacidade de terminar tarefas”, ou seja, a criança pode ter sua capacidade criativa limitada, desenvolvimento de instabilidade emocional e “impaciência” para a conclusão de atividades cotidianas necessárias, incluindo também atividades acadêmicas.
A pesquisa, lançada recentemente, alerta que uma hora por dia é o ideal, para crianças de 2 a 5 anos, e duas horas para adolescentes. “O Instituto Nacional de Saúde dos EUA, estima que os jovens geralmente gastam uma média de cinco a sete horas em telas durante o tempo de lazer”, o que tem comprometido algumas atividades intelectuais e emocionais dos sujeitos, oferecendo-lhes como riscos a possibilidade do desenvolvimento de problemas relacionados a depressão, ansiedade, impulsividade, diminuição da capacidade emocional, mudanças de comportamento, isolamento social, agressividade, e queda no rendimento escolar.
Outros riscos que também podem afetar crianças e adolescentes podem atingir o desenvolvimento cerebral, desenvolvendo distúrbios ou transtornos como déficit de atenção, outras dificuldades de aprendizagem, e aumento da impulsividade e da falta de autocontrole, limitando o movimento cognitivo da alfabetização, da atenção e de outras capacidades; alteração do sono, o que afeta diretamente o funcionamento orgânico no dia seguinte, dificultando a realização de atividades que requerem envolvimento corporal ou emocional dos sujeitos; e condutas agressivas na infância, causadas por estresse, acesso a conteúdos não permitidos para menores, e superexposição nas redes.
É importante que pais e familiares fiquem atentos ao uso excessivo de “telas” por suas crianças e adolescentes, oferecendo-lhes outras opções de lazer e entretenimento, estimulando atividades que sendo mais saudáveis auxiliem, de forma positiva, o desenvolvimento físico e psicológico da infância, da adolescência, e consequentemente na vida adulta.
Claro, a tecnologia e os aparelhos eletrônicos não foram criados com a intenção de nos oferecer danos, e com certeza têm papel importante em muitas das nossas atividades do cotidiano, inclusive para crianças e adolescentes em atividades educativas, visto que a tecnologia tem ganhado espaço nos ambientes educacionais e tem sido cada vez mais inserido nos processos de aprendizagem, e em boa parte do seu envolvimento, tem obtido sucesso. Portanto, a intenção deste texto é alertar pais e familiares sobre os riscos e efeitos do uso demasiado (e muitas vezes, sem limites) de aparelhos eletrônicos por crianças e adolescentes.
Por fim, que tal pensarmos em algumas questões? Quanto tempo sua criança ou adolescente investe em atividades físicas? Como ela tem estimulado sua capacidade criativa através do brincar? Como ela tem estabelecido relações de afeto com seus colegas de escola, amigos e familiares? Como tem sido o contato da sua criança ou adolescente com outras coisas que não podem ou não são substituídas por uma “tela”?
Pense nisso! Uma ótima semana. Até a próxima.
David Junior
Psicólogo e Professor de Filosofia
David Junior
Psicólogo e Professor de Filosofia
