sexta-feira, 3 de maio de 2019

COLUNA DA HISTORIADORA FÁTIMA ALVES - Fátima Martins, mãe-mulher

Fátima Martins, mãe-mulher

Hoje é com imenso prazer que trago a pessoa de Maria de Fátima Martins Cardoso, na nossa história cotidiana. Mãe de dois filhos: Arnou Filho, com 19 anos de idade e Rita Angélica com 16 anos. Fátima é filha de Antonio Martins de Sousa (in memoriam) e Terezinha Martins Cardoso (in memoriam), naturais de Brejo Santo, os quais tiveram a prole de 10 filhos: José Martins Cardoso (primeiro filho, vindo a óbito), tinha o mesmo nome de Pinto, Antônio Martins Cardoso (in memoriam), José Martins Cardoso (Pinto), João Martins Cardoso, Maria do Socorro Martins Cardoso, Marluce Martins Cardoso, Francisco Martins Cardoso (Doutor), Marly Martins Cardoso, Fátima e Mônica Martins Cardoso. 
Foi uma manhã rica de troca de experiências. Ao iniciar nossa conversa peço a Fátima que fale um pouco sobre seus pai, conhecido por todos nós como, ela começa então a dizer que o Sr. Antônio Martins, viveu e se dedicou a vida inteira à comunidade do Poço, na fazenda de sua propriedade, frequentava muito pouco a cidade, e lá constituiu uma família grande. Ele serviu ao exército, motivo de tristeza para dona Maria Martins (Dona Sinhá) sua mãe, pois como ela tinha como único filho, surgiu o medo de perdê-lo, a mesma tentou de tudo judicialmente, para que ele não fosse, mas na época não foi possível, ele seguiu assim mesmo. Quando o Sr. Antônio casou com Terezinha esta, tinha apenas 14 anos de idade. Mas infelizmente a vida tirou sua mãe muito cedo do convívio familiar, dona Terezinha vem a óbito com apenas 33 anos de idade. No percurso de 12 anos o Sr. Antônio ficou viúvo, porém neste intervalo, ele manteve um relacionamento com uma pessoa e deste, nasceram mais duas filhas: Vera Lúcia e Aparecida. Mas, Sr. Antônio segue os conselhos do Frei Jesualdo, seu guia espiritual, aconselha para que ela possa ter uma companheira e realize uma união conjugal de acordo com os princípios da Igreja. No momento ele conheceu Lourdes, com a qual contraiu matrimônio e viveu até os últimos dias de sua vida, e da união nasceram as filhas: Elaine, Aline, Vanessa. 
Sobre a infância Fatima detalha que estudou fora, quase não tem recordações de Brejo Santo, sua vida foi na fazenda. Recorda com saudade esse tempo: “Sinto saudade do “cheiro” do inverno, do gado, do pasto, do leite. A gente vinha de Fortaleza e passava direto pra o poço”. Ela recorda que quando sua mãe faleceu ela tinha três anos de idade, e Mônica tinha meses, ficaram no poço com sua avó materna Dina, no período sua irmã Maria do Socorro (Corrinha) e seus irmãos estudavam em colégio interno, Marly e Marluce, ficaram na casa do tio Zé Pereira e sua Tia Neves. Com 7 anos de idade todos foram pra Fortaleza estudar, seu pai montou uma casa em Fortaleza, pois seus irmãos já haviam saído do colégio interno (Garanhuns e Triunfo/PE, Crato/CE), e quem cuidava de todos era sua irmã Maria do Socorro (Corrinha) e Antônio (in memoriam). Mas seu pai enviou uma pessoa para ajudar Corrinha, a  Francilene Dantas, a qual era uma mãezona, descreve Fátima, pois, cuidava da casa e da comida e repassava pra Corrinha, pois como era estudante precisava deste apoio. Fátima recorda ainda que eram vizinhas dos filhos de Ivan Landim, na época moravam todos, com exceção de Welington o qual morava em Recife e com eles moravam Diana e Heloisa. Fátima estudou em Fortaleza no colégio Farias Brito. Fátima disse que foi o início da juventude e se mostrou rebelde, então sua irmã Corrinha resolve coloca-la no Colégio Interno Santa Sofia em Garanhuns /PE, juntamente com Mônica, foi um período de um ano. Foram suas contemporâneas Cintia e Cristina filhas de Dr. Cledson. Fátima diz: “Eu aprontei muito lá, acho que as freiras não me queriam mais não”. Ao retornar para Brejo Santo estuda na escola Balbina Viana Arrais e recorda de suas colegas de sala como Rocha, Zethe, Cida de Neidinha da Academia e dos professores Eunice Pinheiro e  Socorro Bezerra. “Como foi bom, eu amei, meu Deus como foi Bom”! Depois foi pra Fortaleza, prestou vestibular na Federal em Recife, para veterinária e concluiu o curso. Antes de Fátima só tem Gilmair, irmã de Giselda Arraies mas não assumiu a profissão, assim Fátima protagonizou como mulher a medicina Veterinária em Brejo Santo há 26 anos e adora a profissão. Começou seu trabalho aqui fazendo a inspeção de ovelhas no matadouro na Gestão Dr. Chico Furtado, como prestadora de serviço, acordava as 5h da manhã, e ia de bicicleta, o companheiro era Daniel de Pinto, ele ainda criança. Depois de dois anos entrou na Zoonose, e na Gestão de Guilherme fez o concurso e passou em primeiro lugar, só tinha duas vagas. Continua nos dias atuais na Zoonose.


Fátima se descreve como mãe e profissional, muito dedicada aos filhos. Com relação a Igreja, ela se encontra um pouco decepcionada descreve: Igreja não é ir é ser”. Procura testemunhar nas suas ações. Segundo Fatima Martins, Brejo Santo é uma terra em que precisa-se de muita sabedoria para viver, foi a terra em que nasceu, que seus nasceram. Considera-se entretanto, que, toda sua família tem um legado histórico com a cidade, desde seu avô paternos e maternos, inclusive o fato de alguns membros da família serem enterrados na Capela de Senhora Santana, fundada pela família. Fátima diz que o Poço foi Vila, com participações de feiras, parques, circos, sem contar com a vila de casas e perdurou por muitos anos vindo a ser com uma grande enchente. Mas Fátima diz os seguinte sobre a cidade: “É uma cidade que existe patriotismo, quem não veste a camisa aqui, não admite que fora as pessoas falem mal da cidade. Todos procuram dar o melhor de si pra terra e pra todos e sempre há um retorno dos filhos da terra”. Fátima revela que sua escolha profissional foi para ajudar seu pai na fazenda na parte técnica no manuseio com os animais. 
Depois de adulto a ligação com a cidade foi mais peculiar, pois existe o a ligação profissional: Maria do Socorro é médica e sócia do hospital Geral de Brejo Santo, ela como Veterinária, Mônica como Diretora de Escola, Pinto com uma vida Pública e Política seguida de Carmem, João e Heloisa plantaram uma vida pública. Recorda que quando foi casada com Arnou Pinheiro foi primeira Dama por 11 dias, inclusive recebeu de Shesla a  comenda em monção de agradecimento e exerceu o cargo de segunda dama. Fátima conclui: “Terminei fazendo história de uma forma que não esperava, mas aconteceu, não queria, não quero isso, sou reservada e caseira”. 
E assim se faz a história cotidiana acontecer. Meus sinceros agradecimentos a Fátima Martins por sua valiosa contribuição na cidade bem como a toda sua família, principalmente a seu pai que durante seus 99 anos de vida deixou o legado da Fazenda da Cachoeirinha que com certeza atravessará gerações, será contada de pai para filhos. Gratidão em dispor um pouco da sua história e de sua família.