sexta-feira, 15 de novembro de 2019

COLUNA DA HISTORIADORA FÁTIMA ALVES - Maria do Socorro Alves da Silva (Maria de Bá).


Maria do Socorro Alves da Silva (Maria de Bá).




Que alegria poder compartilhar um pouco da vida dessa grande amiga e companheira de caminhada de Fraternidade Eucarística, na nossa história cotidiana. Trago hoje com muito carinho Maria do Socorro da Silva. Nasceu no dia 09 de novembro do ano de 1956, filha do casal João Horácio Alves (in memoriam) e Maria Carmelita da Silva (in memoriam), são seus irmãos do primeiro casamento de seu pai Nicinha, Aldizia e Elói e do matrimônio com dona Carmelita José Alves da Silva, Francisco Basilio (in memoriam), Jesus Alves da Silva (in memoriam) e João Alves da Silva.


Fui muito bem recepcionada por Maria, pois a mesma estava com o coração dolorido pela perda de sua cadelinha Pipoca, sua companheira diária. Maria revela que sua infância foi muito boa, e que viveu com intensidade as brincadeiras da época na Rua da Taboqueira, principalmente no sitio do Padre Pedro Inácio Ribeiro, o qual era um areal e dividia as brincadeiras com os filhos de Tereza Basilio, de Moacir Jó e Biica, os filhos de Beel, enfim momentos de felicidade. Todas as brincadeiras realizadas a noite tinha um sabor de infância, brincavam meninos e meninas, sem distinção, muitas vezes sem a luz elétrica mas ao luar. As brincadeiras no sitio eram de bonecas nos mangueirais, comendo jenipapo, tinha muita água da cacimba e água corrente jorrando. Que descrição belíssima essa de Maria, merece um quadro como memória dos tempos em que a infância era revestida de infância.

O tempo passa e na roda da vida surge a adolescência e a juventude, como em qualquer ser humano e Maria vai desvendando esse período. Fez sua primeira eucaristia com Padre Pedro Inácio Ribeiro, bem como se crismou. A juventude foi limitada, por que os pais daquele tempo não permitiam que os jovens ultrapassassem a medida. O espaço de lazer e diversão era o Brejo Santo União Clube (BSUC). As festas tinham que ser acompanhadas de familiares e sem uso de bebida alcoólica. Foi nesse período que Maria conheceu Ribamar (in memoriam), ela tinha 15 anos de idade e certa vez foi a uma festa no BSUC em comemoração ao aniversário de Sr. José Teles de Carvalho (in memoriam), no dia 15 de setembro que começaram a conversar. Mas depois desse dia não se encontraram mais. Em outro momento Maria foi a uma festa de São Francisco na Serra e conheceu um rapaz e este ficou interessado nela e marcaram de se encontrar. O encontro aconteceu na praça (era o point da cidade), deram umas voltas e quando sentaram o rapaz demonstrou interesse em casar. Maria não gostou e mal começou o namoro terminou, não era o que ela queria. Maria disse que iria a festa com as amigas e que não dava certo, mas ao chegar em casa sua mãe não deu permissão. Passaram-se oito dias, no domingo e Maria foi a Missa de nove horas da manhã e encontrou com as amigas e estas disseram que Ribamar havia procurado por ela na festa do sábado anterior. Maria então aceitou conversar com Ribamar (in memoriam)  e depois de um ano noivaram e de mais um ano casaram-se.

Maria casou-se com Ribamar (in memoriam), pessoa ilustre e que merece nosso respeito e homenagem pelos feitos na cidade, como pessoa e também como professor. Da união conjugal com Ribamar (in memoriam) nasceram os filhos Francisco Wendel Alves da Silva (casado com Gorete e tem dois filhos Weline Maria e João Weverton), Pedro Henry Alves da Silva e Wiliana Alves da Silva. Maria quando casou com Ribamar cursava a oitava série (nono ano atualmente) depois concluiu o Magistério quando já tinha seu primeiro filho. Conseguiu concluir com ajuda de Venusia (in memoriam) e Mundinha (in memoriam) que ficavam com Wendel. Mas Maria era uma mulher emancipada e queria conciliar casa e trabalho. Queria se dedicar aos filhos e a educação destes. Pediu inspiração a Deus para que este mostrasse o melhor caminho e assim Deus iluminou e Maria se dedicou ao artesanato de meias bordadas, laços, crochê, biscuit, broches, diademas ( Gigolés) . Depois de um certo tempo Maria começou a arte de fazer bolos e se tronou uma das melhores boleiras de Brejo Santo, eram inúmeras suas clientes. Trabalhava de domingo a domingo como ela mesmo revela, foram 35 anos de dedicação. Tudo começou quando ela resolveu fazer bolos sem cobrar, as pessoas traziam os ingredientes e ela ia fazendo, mas depois seu esposo Ribamar fez uma reflexão com ela de que tinha que ter um investimento já que ela gastava gás e energia. Aos poucos Maria foi cobrando uma taxa e o negócio rendeu. Resolveu então ampliar e ao pedir emprestado uma tábua de bolo a uma pessoa, esta a “repreendeu” dizendo que toda boleira teria que ter seu próprio material. Depois desse episódio Maria saiu em sua bicicleta até a casa de Raimundinho e lhe encomendou tábuas de diversos modelos e assim montou sua boleira. Mas tudo isso lhe rendeu também assistência aos filhos, não faltava as reuniões nas escolas e procurou ser presença. 

Mas o destino é traiçoeiro, depois de 28 anos de casada, de muita luta, dedicação, carinho e amor, Ribamar (in memoriam) é conduzido por Deus ao Reino dos Céus. Foram momentos difíceis. Mas próximo a completar um ano ela é surpreendida com um telefonema de Sr. João e lhe pede em casamento. Mas Maria conversa e pede que eles se conheçam e que ele pudesse conhecer a família, os filhos dela também. Diante dos encontros, resolvem se casar e durante três anos Maria revela que foram momentos bons, ele ajudou muito na hora em que ela mais precisava, mas por questões superiores e pessoais o relacionamento não deu mais certo.

Maria é uma pessoa alegre, receptiva, adora receber as Sacramentinas e família Fraternidade em sua residência, é solicita, ajuda a quem precisa é uma serva de Deus. Atualmente é ministra extraordinária da Eucaristia, busca servir a Deus indo a Igreja e cumprindo os desígnios que Deus lhe oferece. Obrigada Maria pela disponibilidade em colocar um pouco de sua contribuição na nossa história cotidiana. Todo nosso carinho e homenagem pela passagem do seu aniversário no dia 09 de novembro.