O editorial de hoje do O POVO, trata do mais importante evento que marcará este 2020. Momento de escolhas e definições as eleições serão também um grande momento de fortalecimento da democracia. Leia!
O Brasil entrou, no dia 1º de janeiro de 2020, em mais um ano eleitoral. A maioria dos 5.570 municípios do País definirá no dia 1º de outubro os novos ou reconduzidos prefeitos e vice-prefeitos por mais quatro anos. As demais cidades, que necessitarem de segundo turno de pleito, farão a escolha no dia 25 do mesmo mês.
O Ceará tem 184 municípios e, segundo o Tribunal Regional do Estado (TRE-CE), 6.439.757 votantes — dado de novembro do ano passado. Aqui, há prerrogativa de segundo turno para apenas duas cidades, as únicas com mais de 200 mil pessoas registradas para o voto: Caucaia, com 217.028 aptos e Fortaleza, com 1.803.482. Além dos prefeitos, serão definidos os vereadores de cada município, com número variando de um máximo de 43 na Capital para um mínimo de 10 em Guaramiranga.
Falta muito até o primeiro turno e as chapas só poderão ser oficializadas a partir de 10 de junho — e até 5 de julho. Então, saberemos quem serão os candidatos e a campanha poderá caminhar, de preferência sem violência, com um embate pautado apenas em ideias.
Números à parte, é importante frisar que o voto é o fiel da balança da democracia. A escolha de uma parte de eleitorado equilibra a da outra parte. A ideia central é a soberania do povo. Ou seja, cada eleitor tem o mesmo peso. Pelo menos em tese.
A realidade que se impôs em 2018, nas votações para presidente da República, governadores, senadores e deputados e se impõe hoje como desafio para a cobertura jornalística da política nacional é a da batalha de pós-verdades. Em um ambiente público acentuadamente rivalizado, extremos partidários passaram a comunicar-se diretamente com o eleitor, sem o filtro de uma imprensa que busque a imparcialidade e o distanciamento.
O resultado foi cenário poluído por informações falsas, aquilo que se convencionou chamar de "notícia falsa" ou fake news — termos imprecisos, já que o jornalismo se pauta pelo fato. Na sanha de convencer, de converter voto, partiu-se para a inverdade, disseminada no rastilho de pólvora das redes sociais e smartphones.
Essa tendência quebra o princípio da equidade do voto, essencial para a soberania do povo. Não é uma questão de lados. É mais fácil desviar a escolha de um eleitor por um candidato e direcionar a outro com informações falsas. Partindo deste princípio, não há debate. Não vence uma ideia, uma proposta mais consistente, um projeto. Vence a inverdade mais convincente e conveniente. E isso não é democrático.
Neste ano eleitoral, mais do que no passado, o jornalismo se prova imprescindível. A imprensa livre é capaz de separar joios e trigos, propostas de ataques, verdades de mentiras. A chamada atual é por verificação de informações, seja em jornais impressos, internet, rádio, televisão. O voto é ato de consciência e as informações precisam vir de fontes confiáveis e verificáveis. Desta forma, teremos um resultado equilibrado de eleição sem máculas.
*Fonte O POVO.
