Uma pedra usada como calçada na casa de dona Rosinha, em Tianguá, na Serra da Ibiapaba, revelou um importante registro paleontológico com cerca de 430 milhões de anos. O material, que atualmente está aberto para visitação no Parque Nacional de Ubajara, apresenta marcas fossilizadas da movimentação de organismos marinhos que viveram muito antes do surgimento dos dinossauros.
As marcas identificadas na rocha são classificadas como icnofósseis, vestígios deixados pela atividade de seres vivos, como rastros e túneis. No caso da peça encontrada em Tianguá, os registros apontam a locomoção de invertebrados marinhos semelhantes a vermes, que habitavam ambientes oceânicos durante o período Siluriano, na Era Paleozoica.
O fóssil foi descoberto em 2019 por pesquisadores do Laboratório de Paleontologia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em parceria com o Museu Dom José, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e moradores da região. A rocha pesa cerca de 700 quilos, tem formato triangular e aproximadamente 1,20 metro na base maior.
A descoberta também deu origem ao projeto “Pavimento a Patrimônio”, criado pela UVA para estudar e preservar o material, que já apresentava sinais de desgaste pelo uso cotidiano. Segundo a geóloga e paleontóloga Somália Viana, a área onde hoje está localizada a Serra da Ibiapaba era um ambiente marinho há milhões de anos, e os organismos deixaram marcas ao se movimentarem nos sedimentos, posteriormente preservadas na rocha.
*Da redação do BFJR, com dados do Diário do Nordeste
*Foto: Arquivo pessoal/Jarbas de Negreiros.