Os dados definitivos do ensaio clínico de fase 3 RASolute 302, apresentados na sessão plenária da American Society of Clinical Oncology (ASCO) em Chicago, comoveram cerca de 50 mil especialistas e marcaram uma virada histórica na medicina. O estudo confirmou a eficácia do comprimido daraxonrasib, desenvolvido pela farmacêutica americana Revolution Medicines, indicado para pacientes com câncer de pâncreas metastático avançado que já não respondiam à quimioterapia convencional. Historicamente, a proteína RAS, presente e mutada em até 90% dos tumores de pâncreas, funciona como um acelerador celular descontrolado e era classificada pela comunidade científica como uma molécula inalcançável e intratável (undruggable), barreira que a nova terapia diária conseguiu superar.
A aclamação com aplausos de pé e lágrimas no maior congresso de oncologia do mundo é amparada por resultados matemáticos considerados inequívocos e surpreendentes para uma segunda linha de tratamento. No grupo de pacientes com a mutação específica RAS G12 (a mais prevalente na doença), a sobrevida mediana daqueles que receberam a pílula alcançou 13,2 meses, praticamente o dobro do registrado no grupo submetido à quimioterapia tradicional, cuja média foi de 6,6 meses. De acordo com os dados finais apresentados pelos pesquisadores, a taxa de risco apontou uma redução drástica de 60% na probabilidade de morte entre os pacientes tratados com a nova droga.
Além do ganho expressivo em tempo de vida, o daraxonrasib demonstrou eficácia clínica superior em todas as frentes de avaliação do estudo, que dividiu por sorteio 500 pacientes em um modelo randomizado. O tempo médio para a progressão ou avanço da doença dobrou, saltando de 3,5 meses na quimioterapia para 7,3 meses com o comprimido diário. O tratamento também registrou uma taxa de redução tumoral mensurável de 31% dos pacientes envolvidos na terapia — contra apenas 11,2% na abordagem padrão —, estabelecendo um novo protocolo global de esperança e intervenção clínica para o tumor de pâncreas, um dos mais letais e silenciosos da oncologia.
*Da redação do Blog do Farias Júnior com G1.