Estudo da Fiocruz revela que mais da metade das hospitalizações de jovens cearenses (15 a 29 anos) são ligadas a drogas ou transtornos de humor; falta de assistência primária é apontada como causa.
O Ceará enfrenta um cenário preocupante em relação à saúde mental de sua juventude. Um levantamento recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) colocou o estado entre os nove do país onde a taxa de internação de jovens (15 a 29 anos) por transtornos mentais e comportamentais ultrapassa a média brasileira.
Os dados, coletados entre janeiro de 2022 e novembro de 2024, mostram que o índice no Ceará é superior à média nacional.
De acordo com o estudo, os motivos que mais levam os jovens brasileiros à internação psiquiátrica são:
31,9%: Esquizofrenia e transtornos delirantes.
31%: Transtornos devido ao uso de substâncias psicoativas (álcool e drogas).
23%: Transtornos de humor (depressão e bipolaridade).
No caso específico dos jovens adultos (25 a 29 anos), o Ceará apresenta a taxa mais crítica: 747,5 internações por 100 mil habitantes, número influenciado pelo aumento da dependência química.
Para especialistas, a alta taxa de internação não indica apenas o adoecimento, mas uma falha na rede de saúde básica. O psiquiatra Fábio Gomes de Matos, da UFC, explica que a hospitalização ocorre porque o jovem não recebeu tratamento preventivo adequado. O consenso médico é que o sofrimento psíquico tem chegado aos serviços de saúde de forma tardia e aguda, quando a única solução restante é a internação, em vez do acompanhamento psicológico ambulatorial.
*Da redação do Blog do Farias Júnior com G1.