Uma nova pesquisa publicada na prestigiada revista médica BMJ traz um alerta importante para quem utiliza a nova geração de medicamentos para emagrecer (conhecidos como análogos de GLP-1).Segundo o estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, a recuperação do peso após a suspensão desses fármacos ocorre de forma significativamente mais acelerada do que em programas baseados apenas em dieta e exercícios.
Ao analisar 37 estudos clínicos, incluindo testes com moléculas famosas como a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro), os cientistas constataram que os participantes recuperam, em média, 0,4 kg por mês após interromperem as aplicações.
O dado mais impressionante é a comparação com métodos tradicionais: enquanto pacientes que emagrecem apenas com mudanças no estilo de vida levam cerca de quatro anos para recuperar o peso perdido, aqueles que utilizaram os medicamentos voltaram ao peso inicial em apenas 18 meses. Ou seja, o reganho de peso é quatro vezes mais rápido entre os usuários das "canetas emagrecedoras".
O estudo também monitorou indicadores de saúde. Os benefícios conquistados durante o tratamento, como a melhora na pressão arterial e nos níveis de colesterol, tendem a desaparecer no mesmo ritmo do reganho de peso, retornando aos valores de origem em aproximadamente um ano e quatro meses após a última dose.
Especialistas envolvidos no estudo, como a nutricionista Susan Jebb, reforçam que a obesidade é uma doença crônica e recorrente. "Aproximadamente metade das pessoas abandona esses medicamentos no período de um ano, seja por efeitos colaterais como náuseas ou pelo alto custo", explica a pesquisadora.
A conclusão do estudo é contundente: esses medicamentos não devem ser vistos como uma "cura mágica" ou temporária, mas sim como uma ferramenta que, em muitos casos, pode exigir uso contínuo por toda a vida, de forma semelhante aos tratamentos para hipertensão.
*Da redação do Blog do Farias Júnior com O POVO.