O Ceará encerrou o ano de 2025 com estatísticas preocupantes no que diz respeito à integridade sexual da sua população. Segundo dados consolidados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o estado registrou 1.927 vítimas de crimes sexuais ao longo do último ano.
O dado mais contundente do relatório aponta que 41,93% dessas vítimas são crianças, evidenciando a extrema vulnerabilidade da primeira infância e o desafio contínuo das políticas de proteção ao menor no estado. O levantamento reflete os casos que chegaram ao conhecimento das autoridades, o que levanta, simultaneamente, o debate sobre a subnotificação e a necessidade de fortalecer os canais de denúncia e acolhimento.
A análise geográfica dos dados mostra que a violência sexual não está restrita à capital, Fortaleza, mas apresenta incidências significativas em cidades do interior e regiões metropolitanas. Especialistas em segurança pública e direitos humanos destacam que a maioria desses crimes ocorre dentro do ambiente doméstico ou por pessoas próximas ao círculo de confiança da vítima, o que dificulta a detecção e a interrupção do ciclo de abuso. O Governo do Estado tem reforçado a importância da rede de proteção, composta por delegacias especializadas (DCECA), conselhos tutelares e centros de referência, mas os números de 2025 reiteram que a prevenção primária e a educação sexual protetiva continuam sendo prioridades urgentes para 2026.
Raio X do absurdo
Entre as vítimas menores de idade, 768 tinham entre 12 e 17 anos, o quantitativo representa 35,97% das ocorrências. Já 396 vítimas estavam na faixa etária de 6 a 11 anos (27,14%). Outros 271 tinham até 5 anos de idade (14,79%).
*Da redação do Blog do Farias Júnior com O POVO.
*Foto: FCO FONTENELE/Imagem ilustrativa