"Tijuca" foi de grande importância para Brejo Santo e toda a região do Cariri, atuando como caminhoneiro, empresário, agropecuarista e comerciante.
Chegou a Brejo Santo ainda criança com seus pais, vindo de Bonito de Santa Fé (PB), em 1943. Entre idas e vindas da família, seu pai, José Almeida, homem de visão e progresso, decidiu ir para Goiás com os filhos homens, deixando esposa e filhas. Lá, adquiriu muitas terras e retornou para buscar sua família, mas, ao chegar, já encontrou sua esposa falecida. Jarbas também soube da morte da mãe sem ter tido a oportunidade de revê-la, devido à inexistência de meios de comunicação na época, quando se passava dias sem notícias. Assim, parte da família retornou para Brejo Santo e outros para Bonito de Santa Fé.
Com a ausência da mãe, Jarbas foi morar com uma tia no Rio de Janeiro, mas posteriormente, retornou a Brejo Santo, pois não conseguia esquecer seus amigos, seu povo e suas professoras, com quem havia sido alfabetizado.
Já habilitado, ao retornar do Rio, com ajuda de seu pai e do fruto do seu próprio trabalho, adquiriu seu primeiro caminhão. Passou a transportar lenha, carvão, algodão, milho, areia, entre outros produtos.
Na época, após o desmoronamento da Igreja Matriz de Brejo Santo, contribuiu com a sua reconstrução, durante o período dos vigários Padre Dernival de Anxieta e Padre Pedro.
Em uma de suas viagens, saiu de Brejo Santo com seu caminhão levando uma “carrada” de candangos que seguiam para a construção de Brasília. Muitos não tinham dinheiro sequer para passagem ou alimentação, mas ele sempre encontrava uma forma de ajudar, dividindo o que tinha e garantindo que ninguém passasse fome. Em Brasília, trabalhou transportando materiais de construção, adquiriu bom capital e novos veículos, retornando posteriormente para sua terra amada, Brejo Santo.
Desde cedo, tinha vocação para o comércio e para o ramo de veículos, influência de seu pai, e, em 1946, adquiriu um caminhão novo da marca International, possivelmente um dos primeiros da cidade. Na época, já enfrentavam longas viagens por estradas carroçáveis para buscar mercadorias em Fortaleza.
Seguindo os passos do pai, Jarbas fundou sua empresa na década de 1970, a “Jarbas Almeida Eletrodomésticos”. Já casado com Maria do Socorro Lopes, trazia mercadorias de São Paulo para vender em toda a região: Brejo Santo, Milagres, Barro, Barbalha, Juazeiro do Norte e Crato.
Foi responsável por levar à região alguns dos primeiros eletrodomésticos, como geladeiras a gás, geladeiras elétricas, televisores em preto e branco e, posteriormente, televisores coloridos. Como a energia local era 220 volts e muitos aparelhos vinham em 110 volts, ele já providenciava os transformadores, facilitando o acesso da população à tecnologia. Também comercializava bicicletas, ventiladores, máquinas de costura e até molas de ferro.
Na década de 1980, deixou o comércio de eletrodomésticos, mas continuou no ramo de veículos, trazendo de São Paulo carros novos como Fusca, Opala, pick-ups, jipes e caminhonetes.
Posteriormente, ingressou no setor da construção, adquirindo tratores de esteira e alugando equipamentos para obras como construção de açudes e abertura de estradas em diversos municípios da região: Brejo Santo, Mauriti, Jati, Porteiras, Penaforte, Abaiara, Barro, Milagres e Missão Velha. Seus serviços também chegaram a cidades como Morada Nova (CE) e Solânea (PB). Em Brejo Santo, contribuiu com a abertura de ruas, planejamento de terrenos, construção de bairros, avenidas, prédios comerciais e residências.
Paralelamente, investiu em propriedades rurais, dedicando-se à agricultura — com produção de milho, feijão e algodão — e à pecuária, com criação de gado de corte e leiteiro.
Jarbas Almeida era casado com Maria do Socorro Lopes, pernambucana das famílias Lopes, Passos, Gomes e Felipes, da região do Pajeú. Mulher ativa, trabalhadora e empresária, que chegou a ocupar os cargos de secretária de Ação Social e de secretária de Saúde de Brejo Santo. Juntos, tiveram quatro filhos: Jarbas Júnior, Karina, Katiwse e Kathanne, todos formados e encaminhados na vida.
Apesar de sua condição financeira estável, Jarbas nunca perdeu sua simplicidade na forma de tratar as pessoas. Essa foi sua maior riqueza: a grandeza de sua alma e o amor dedicado aos amigos, filhos, netos, nora e genros. Ele será sempre um exemplo para toda a família. A alegria, o carisma e a bondade que ele espalhou pelo mundo estarão eternizados em nossos corações, assim como a saudade. Jarbas Almeida, o homem que amou Brejo Santo e fez dela sua terra natal.
30 dias de vida eterna
Convidamos para a missa de 30 dias de falecimento, que será realizada nesta segunda-feira, dia 23 de Março, às 17 horas, na Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus. Desde já, agradecemos a todos pelo carinho.