O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou 38 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa responsável por desviar cerca de R$ 7,7 milhões de recursos públicos entre 2015 e 2017, em oito municípios cearenses. A denúncia foi apresentada na última sexta-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e envolve irregularidades registradas em Chaval, Ibicuitinga, Itarema, Itaitinga, Itapiúna, Jijoca de Jericoacoara, Pentecoste e Tejuçuoca.
De acordo com o MPCE, o esquema funcionava por meio de fraudes em licitações, com participação de agentes públicos e empresários. Os investigados devem responder por crimes como peculato, fraude em processo licitatório e lavagem de dinheiro. As acusações têm como base relatórios de inteligência financeira e quebras de sigilo bancário autorizadas durante as investigações.
Ainda segundo o Gaeco, a organização criminosa era dividida em três núcleos: o político-administrativo, responsável por viabilizar contratações e autorizar pagamentos irregulares; o empresarial, que criava empresas de fachada e simulava concorrência; e o operacional, que utilizava contas de terceiros para movimentar os valores desviados. O MP também aponta que empresas de consultoria contábil eram usadas para controlar setores financeiros de órgãos municipais, permitindo a simulação de serviços e o desvio de recursos, que eram rapidamente sacados após transferências. O órgão pediu à Justiça a reparação dos danos aos cofres públicos, e o processo tramita em sigilo.
*Da redação do Blog do Farias Júnior com dados do CN7