A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal um relatório final que detalha uma investigação sobre suspeitas de desvio de recursos públicos no Ceará, envolvendo o deputado federal Júnior Mano (PSB) e o ex-prefeito foragido de Choró, Bebeto Queiroz (PSB). O documento, encaminhado ao ministro Gilmar Mendes, aponta a existência de um esquema estruturado para direcionamento de verbas federais, especialmente oriundas de emendas parlamentares, com indícios de pagamento de propinas e manipulação de licitações.
Segundo a investigação, durante a Operação Underhand, deflagrada em julho de 2025, agentes encontraram Eduardo Sales Sá Barreto Leitão, filho do prefeito de Fortaleza, no apartamento funcional de Júnior Mano, em Brasília. No local, também estavam outras pessoas ligadas ao parlamentar. A PF afirma que há indícios de proximidade entre os envolvidos e o núcleo político investigado, além de suspeitas de que contratos públicos tenham sido utilizados para financiar campanhas eleitorais de forma irregular nas eleições municipais de 2024.
Durante a ação, foram apreendidos uma agenda com anotações manuscritas sobre “urgência de pagamentos” e “novos contratos”, além de documentos, dispositivos eletrônicos e R$ 50 mil em espécie. As anotações mencionam valores que somam mais de R$ 34 milhões, relacionados a secretarias municipais de Fortaleza. Eduardo Leitão não possui cargo oficial na gestão municipal. Na mesma decisão, o ministro determinou o bloqueio de até R$ 54 milhões em bens dos investigados. Procurados, o prefeito de Fortaleza e seu filho não se manifestaram até o fechamento da matéria.
*Da redação do Blog do Farias Júnior com dados do O Otimista