terça-feira, 2 de junho de 2026

Covardia e sensação de impunidade fazem o Brasil bater novo recorde de feminicídios por dia em 2025

 

O Brasil atingiu em 2025 o maior número de feminicídios desde o início da tipificação do crime, em 2015. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1.568 mulheres foram assassinadas no ano passado devido à sua condição de gênero — uma alta de 4,7% em comparação com o período anterior —, o que projeta uma média avassaladora de 4 mulheres mortas por dia no País. O panorama de violência persiste de forma alarmante no início deste ano, que já registrou 399 ocorrências apenas nos três primeiros meses, enquanto os canais de emergência da Polícia Militar (190) recebem uma média de 2 ligações por minuto relatando violência doméstica em território nacional.


O levantamento estatístico detalha que o ambiente doméstico permanece como o cenário de maior vulnerabilidade, uma vez que oito em cada dez feminicídios foram perpetrados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, em sua maioria dentro da própria residência das mulheres. Em quase metade dos casos, os agressores recorreram a objetos comuns e de fácil acesso no cotidiano, como facas e machados. Essa letalidade é a ponta de um iceberg de agressões físicas diárias: embora os boletins de ocorrência formalizados nas delegacias registrem mais de 600 casos por dia, projeções baseadas em pesquisas de vitimização estimam que o número real de episódios de violência física chegue a cerca de 24 mil diariamente, considerando a subnotificação. No aspecto socioeconômico, o perfil das vítimas evidencia a desigualdade, revelando que mais de 60% das mulheres mortas são negras.

Diante desses indicadores, especialistas e pesquisadores apontam que o feminicídio costuma ser o desfecho trágico de um ciclo contínuo de abusos, alimentado tanto por barreiras práticas, como a dependência financeira e a falta de redes de apoio — quanto pelo recente avanço de comunidades virtuais extremistas, a exemplo da subcultura red pill e da manosfera. Para a sociologia criminal, esses canais digitais funcionam como catalisadores ideológicos que promovem o ódio, a misoginia e a desumanização das mulheres através de redes de compartilhamento que validam o sentimento de posse do agressor. Essa validação virtual atua como um perigoso combustível psicossocial que reduz as barreiras morais para a escalada das agressões no mundo real, dificultando a interrupção do ciclo antes que ele termine em tragédia.
*Da redação do Blog do Farias Júnior com agências.