Dezenas de consumidores utilizaram as redes sociais para denunciar uma suposta prática abusiva em um stand de venda de doces durante a Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), realizada no Cariri cearense até o próximo domingo (19). Os relatos apontam que clientes estariam sendo surpreendidos com o valor final da compra e, em alguns casos, constrangidos a concluir a aquisição mesmo após manifestarem desistência.
Segundo as denúncias, o estabelecimento informa apenas que o preço do produto é de R$ 19,90 a cada 100 gramas. Em seguida, um funcionário solicita que o cliente escolha o tamanho da fatia desejada. O valor total, no entanto, só é informado após a pesagem, quando muitos consumidores descobrem que o preço ficou muito acima do esperado por não terem noção da gramatura correspondente ao pedaço escolhido.
Ainda conforme os relatos, ao tentarem desistir da compra diante do valor elevado, alguns clientes afirmam ter sido pressionados pelos funcionários a levar o produto.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais desde quarta-feira (15), ficando conhecido como o “golpe do doce”. Há relatos de consumidores que afirmam ter desembolsado até R$ 330 por três pedaços de doce adquiridos no mesmo stand.
Entre as publicações de maior alcance está a do empresário Breno de Freitas. Ele contou que foi atraído pela abordagem simpática dos vendedores, mas se surpreendeu ao descobrir que dois pedaços de doce totalizavam R$ 117 após a pesagem.
Segundo Breno, ao informar que levaria apenas um dos sabores, passou a ser pressionado pelos funcionários. “Quando a gente chegou na balança, deu mais de 500 gramas os pedaços, ficando R$ 117 no total. Eu falei que iria ficar só com um dos sabores. A partir daí o rapaz da balança começou a dizer que eu tinha que levar porque já tinha pedido e que o sistema era self-service”, relatou. Apesar da insistência, ele desistiu da compra.
A Doceria Deleites, empresa de Minas Gerais responsável pelo stand, negou que a prática configure golpe ou enganação. Em nota, afirmou que, após o corte da fatia no tamanho escolhido pelo cliente, o pedaço não pode mais ser reaproveitado, motivo pelo qual a desistência da compra gera prejuízo ao estabelecimento.
Diante da repercussão do caso, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon) realizou uma fiscalização no local nesta quinta-feira (16). O órgão informou ter constatado práticas abusivas contra os consumidores e notificou a empresa para que faça as adequações necessárias. Caso as irregularidades não sejam corrigidas, o stand poderá ser interditado.
Um advogado especialista em Direito do Consumidor ouvido sobre o caso afirmou que a forma de comercialização adotada pela empresa induz o consumidor ao erro, por não apresentar previamente informações claras sobre o preço final do produto.
*Da redação do BFJR, com dados do G1