sexta-feira, 1 de março de 2019

COLUNA DA HISTORIADORA FÁTIMA ALVES - Isabel Pereira Santos, filha de Dona do Céu

Isabel Pereira Santos, filha de Dona do Céu


Retratar uma pessoa que sempre esteve disponível a comunidade de Brejo Santo, é uma alegria! Conversar com Isabel Pereira Santos, em uma tarde agradável, enche o coração de sabedoria. Isabel é conhecida por todos como Isabel enfermeira, filha de Dona do Céu. Isabel Pereira Santos, filha do casal João Cardoso Santos (in memoriam) e Maria do Céu Pereira (DONA DO CÉU, in memoriam)). Quando seus pais chegaram em Brejo Santo a cidade era pequena, a Igreja era apenas uma capela. Seus pais são da cidade de Barro (pai) e sua mãe do Alagoas. Os dois se encontraram na cidade de Juazeiro do Norte, casaram e tiveram oito filhos. Quando chegaram em Brejo Santo trouxeram os filhos mais velhos: Lourival, Zé Geraldo, Maria e Ritinha. Depois vieram as filhas Raimunda e Isabel. A infância de Isabel foi estabelecida pela rigidez dos pais e a mesma vivia da Igreja para casa. Mas uma família harmoniosa criada aos cuidados de Dona do Céu. 
 
Na oportunidade pergunto sobre Dona do Céu, Isabel descreve a personalidade e o legado deixado por Dona do Céu. Ela revela que Dona do Céu era uma pessoa extremamente caridosa, assim como seu pai. Linda a atitude de Dona do Céu, quando Isabel retrata o cuidado para com os doentes. Dona do Céu era solicitada pelas famílias quando tinha alguém enfermo e ao chegar na casa da família, banhava o paciente, passava até 40 dias dando assistência e quando havia falecimento ela doava a mortalha. Isabel conta que as vezes não dormiam, pois, as pessoas batiam na porta avisando que alguém tinha falecido e Dona do Céu prontamente ia servir aos familiares. Isabel conta que sua irmã Raimunda tinha medo de acompanhar a mãe, então Isabel ia para ajudar. Dona do Céu era uma eximia costureira, motivo pelo qual fazia mortalha e doava a quem precisasse. Ao chegar na casa ela arrumava tudo, desde a mortalha ao funeral, só saia quando ia até o cemitério prestar sua última homenagem. Dona Do Céu tinha uma devoção pelo Menino Jesus. Com o passar dos anos junto com o esposo de Dora, construíram uma capela na comunidade do e os devotos recorrem a ele. Dona do Céu ajudou na construção da capela fazendo bonecas de pano e a renda se revertia na Capela do Menino Jesus de Praga na comunidade do Capoeiro. O testemunho de Dona do Céu deve ser referência para todos nós. Outro dom de Dona do Céu era o de rezar nas crianças que tinham umbigo grande com a oração estas ficavam curadas, a hérnia desaparecia. Dona do Céu as quartas feira saia nas casas de sete senhoras ricas da cidade e recolhia roupas para doação. Estas roupas ela concertava quando houvesse necessidade. O dom dessa oração ela passou para Raimundinho Cabral, pois só quem poderia receber a oração seria um homem.
 
Depois do belo testemunho de Dona do Céu, Isabel descreve sua trajetória profissional. A mesma trabalhou por muitos anos desde a década de 70 até a de 90 no hospital Nossa Senhora de Fátima. Ela revela que tem um carinho especial de gratidão a Dr. Cledson, o qual deu apoio profissional, deve tudo o que tem e o que é como pessoa. Mas a profissão de enfermeira veio anos depois, ela era professora de datilografia, emprego ofertado pelo Prefeito da época Dr. Lucena. As aulas eram ministradas no Projeto ABC. Isabel diz que o oficio foi repassado pelo professor   Francisco Alves de Araújo (esposo de Dona Neide Teles), o mesmo tinha uma sala de datilografia e ele era muito exigente, os alunos tinham que conhecer as teclas e as funções de cada uma. Depois deste período fez um curso de técnica de enfermagem pelo Projeto Rondon no ano de 1976, do Governo Federal, apesar de ter o magistério e o 3º técnico, assim começa seu trabalho. Isabel recorda o nome de alguns médicos contemporâneos como Dr. Welilvan, Dr Wider, Dr. George, Dr Vicente, Dr. Napoleão, Dr. Chico Furtado, Dr. Josa, entre outros. Lembra das companheiras de trabalho Luiza, Sobreira, Ivani, Marilan e Espirito Santo. 

Isabel se dedicou ao serviço de enfermagem como uma missão, mas pediu contas e foi embora para São Paulo, Foram momentos difíceis na sua vida, pois ao se deslocar para São Paulo deixa sua mãe. Mas tinha o compromisso de todos os anos vir vê-la. Isabel vem embora para Brejo Santo e hoje reside em Brejo Santo e mora com sua gata Anaisabel, sua companheira diária. 

Pergunto sobre a sua visão sobre Brejo Santo ela diz: Brejo Santo está muito bem cuidado, antes era diferente” admira dos que se dedicaram a zelar pela cidade, retrata a pessoa de Welington Landim e da atual Gestão da Dr. Teresa, diz que todos sempre tiveram este cuidado. Refere-se ao serviço da saúde e do PSF São Francisco, da atenção desde a atendente até os médicos que prestam serviço de um excelente atendimento. “Temos que reconhecer a bondade das pessoas, tudo é muito bom”.

Nossa Gratidão a Isabel esta serva da Saúde que por muitos anos trabalhou em prol do Bem estar dos pacientes e das pessoas por ela atendida. Isabel passou por problemas de saúde que ao descrever entende-se sua superação e sua garra de mulher vencedora. 

Nossa história agradece sua valiosa contribuição, assim como de sua Família e de Dona do Céu a Guardiã dos doentes e com certeza no Céu, Dona do Céu é uma anjo a velar por todos que enfrentam dificuldades de saúde.