domingo, 29 de março de 2026

Estudante de escola pública do Ceará vai representar o Brasil nos EUA com projeto de IA que mapeia feminicídios


A estudante Yanna Queiroz, de 16 anos, foi selecionada para representar o Brasil em uma das maiores feiras de ciência do mundo, que será realizada em maio, na cidade de Phoenix, nos Estados Unidos. A participação foi conquistada após o destaque de um projeto que utiliza Inteligência Artificial para analisar dados de feminicídio no Ceará.

Aluna do 3º ano do ensino médio da Escola de Ensino Médio de Tempo Integral (EEMTI) Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, localizada no município de Iracema, a cerca de 284 quilômetros de Fortaleza, Yanna desenvolveu a pesquisa ainda em 2025, quando cursava o 2º ano.

Intitulado “Rastreando a demografia do feminicídio no Ceará (2022-2025) através do aprendizado de máquina e análise cartográfica”, o trabalho foi premiado com o primeiro lugar na categoria Ciências Sociais Aplicadas durante a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), garantindo também a classificação para a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF).

Reconhecida como a principal competição científica pré-universitária do mundo, a ISEF reúne jovens pesquisadores de diversos países e é considerada uma vitrine global para projetos de alto rigor científico, além de abrir portas para oportunidades acadêmicas e profissionais.

Segundo a estudante, a ferramenta desenvolvida apresentou taxa de acerto próxima de 99%. O estudo analisou uma base com mais de 5 mil registros relacionados a feminicídios no estado, permitindo identificar informações como idade, local de residência, raça e circunstâncias das vítimas.

“A gente realizou outros processos para compreender a dinâmica dos casos e identificar o perfil das vítimas. A partir de uma coleta com 174 registros, utilizamos métodos estatísticos para detectar esses padrões”, explicou Yanna.

Além disso, o projeto também incluiu análise cartográfica para mapear as regiões com maior incidência dos crimes. “Essa etapa foi importante para identificar as áreas mais afetadas”, acrescentou.

Este não é o primeiro trabalho científico da estudante, que já desenvolveu pesquisas sobre queimadas no Ceará. Interessada em causas sociais, Yanna pretende cursar Medicina após concluir o ensino médio.

*Da redação do BFJR, com dados do G1