O monitoramento climático acendeu um sinal de alerta para o segundo semestre de 2026. Dados divulgados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), com base nas projeções do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), o centro climático dos Estados Unidos, apontam que há 37% de chances de ocorrer um fenômeno El Niño de intensidade "muito forte" (também chamado de "Super El Niño") já na segunda metade deste ano. O indicador mede o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, estimando ainda em 30% a chance de um evento forte e em 33% a probabilidade de uma força moderada ou fraca.
Embora o estabelecimento do fenômeno já seja projetado com 82% de chance para o trimestre entre maio e julho de 2026, a intensidade máxima deve ser alcançada entre os meses de novembro e janeiro. Caso a projeção de um El Niño muito forte se concretize, o evento pode elevar significativamente a temperatura no Ceará e impactar diretamente a próxima quadra chuvosa do estado. Em âmbito nacional, o cenário costuma provocar impactos severos e heterogêneos, como o atraso das chuvas da primavera no Sudeste e Centro-Oeste, risco de estiagem extrema nas regiões Norte e Nordeste, e ameaça elevada de temporais e volumes excessivos de precipitação na região Sul.
Órgãos de monitoramento reforçam que as simulações dos principais centros climáticos internacionais convergem para uma trajetória de alto impacto, o que já exige atenção do agronegócio, do setor energético e da gestão de recursos hídricos. No entanto, os meteorologistas da Funceme ponderam que as previsões de longo prazo ainda carregam margens de incerteza, e o acompanhamento constante das temperaturas do Pacífico ao longo dos próximos meses será fundamental para consolidar os alertas reais de seca ou calor extremo para o território cearense.
*Da redação do Blog do Farias Júnior com O POVO.