O movimento é uma adesão direta à estratégia de transparência adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após o debate presidencial do segundo turno, realizado pela TV Bandeirantes, o chefe do Executivo assinou a própria abertura de dados e estendeu o gesto aos seus cinco filhos.
Com a entrega voluntária dos documentos pela família presidencial, a campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) transfere o foco do desgaste e joga forte pressão política sobre o senador e candidato adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
A ofensiva luta por enquanto encurrala o clã Bolsonaro nas vésperas da votação. Durante o confronto na TV, Lula propôs que ambos os lados abrissem suas contas para que a Justiça Eleitoral pudesse dirimir acusações de corrupção antes do pleito.
Embora tenha afirmado nos bastidores e em entrevistas pós-debate que "não tem nada a esconder" e que suas declarações à Receita Federal estão regulares, Flávio Bolsonaro ainda resiste e não assinou nenhuma autorização judicial para abrir seus sigilos, de seus familiares ou de empresas ligadas ao seu nome.
A coordenação de campanha de Lula já sinalizou que a eficácia da quebra formal das contas do presidente e de seus parentes no TSE poderá ficar formalmente condicionada à reciprocidade do candidato do PL. O objetivo da ala governista é carimbar a postura de Flávio como "falta de transparência" perante o eleitorado indeciso.
